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GRETAS DO TEMPO coloca a memória como metáfora para explorar as noções de presença e de temporalidade, condições que foram reconfiguradas no mundo contemporâneo pela nossa implicação inexorável com a Cultura Digital.

Através da memória podemos “presentificar” sensações, sentimentos e existências de tempos que, embora fugidios, deixam marcas impressas no corpo.

A memória do Balé do Teatro Castro Alves é entrelaçada à própria memória do corpo do bailarino. Cada uma dessas lembranças foi pensada como marca de um corpo-cidade uma vez que todos estão implicados com a vida em Salvador. Tais memórias são Gretas do Tempo uma vez que fendem o aqui-agora dando margem à novas percepções que re-presentificam esses corpos no espaço-tempo.

GRETAS DO TEMPO é um projeto artístico composto de três obras:

Memórias de uma memória: videodanças;
Memórias no tempo: instalação telemática interativa;
Memórias no espaço: caminhada sonora para dança, uma versão da chamada soundwalk do campo da música que aqui é redimensionada para as artes cênicas.

Por meio desses contextos e configurações artísticas, criamos fendas, rasgos e brechas na temporalidade de cada sujeito, seja ele bailarino ou público. São frestas de tempo que inebriam a noção de presente, passado e futuro, bem como corrompem as margens entre realidade e ficção.

No site do projeto www.gretasdotempo.com.br, o público é convidado a acompanhar o processo criativo do trabalho, as videodanças disponibilizadas durante esse período, os mapas de ocupação e os arquivos de áudio da soundwalk e muito mais, atuando assim não apenas como contemplador, mas também ele como investigador. A obra de arte é aqui assumida como locus de conhecimento tanto para os artistas como para o público, pois acreditamos na fruição como um comportamento ativo.

Ademais, damos a possibilidade ao público de mergulhar na obra através das caminhadas que transformam em cenário as ruas do centro da cidade, a Praça da Sé, a qual, em si mesma, já é uma memória. Nesse instante, aquele espaço torna-se uma “art vivant” em que todos são bailarinos, público e pedestres ao mesmo tempo. Ambientamos um espaço sensível no Salão Nobre do Palácio Rio Branco que se constrói a partir da ação de cada indivíduo que ali adentrar podendo interagir com sua própria temporalidade e com as memórias dos bailarinos vivenciando assim outras Gretas do Tempo.

Esse projeto faz parte do constante entrelaçamento das pesquisas acadêmicas e artísticas de Ivani Santana que se interessa pelo estudo e exploração da percepção humana como elemento fundante para a criação em dança. Nesse trabalho, ela contou com a parceria de Sandro Canavezzi no desenvolvimento conceitual e tecnológico da instalação interativa e no processo criativo teve a colaboração dos membros do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Ações Coreográficas do BTCA e do Grupo de Pesquisa Poéticas Tecnológicas: corpoaudiovisual (UFBA).

Ivani Santana

GAPS IN TIME places memory as a metaphor in order to explore notions of presence and temporality, conditions reconfigured in the contemporary world by our implacable involvement with Digital Culture.

Through memory we can “presentify” sensations, feelings and states of existence that, although fleeting, have left their marks on our bodies.

The memory of the Castro Alves Ballet Theater is inextricably intertwined with the corporal memories of its dancers. And each one of these remembrances, in turn, refers to the “city-body,” since these memories are so situated in the urban life of Salvador. Such memories are Gaps in Time, presenting fissures, or cracks, in the here-and-now that give rise to new perceptions, allowing a re-presentification of these bodies in space-time.

GAPS IN TIME is an artistic project composed of three works:

Memoirs of a memory: screen dance;
Memoirs in time: interactive telematic installation;
Memoirs in space: soundwalk for dance, a version of what is termed “soundwalk” in music, re-dimensioned here for the scenic arts.

Through these artistic contexts and setting, we create cracks, tears and breaches in each subject’s sense of temporality, whether it be the public or the dancer: intoxicating gaps in time that mix up notions of present, past and future, breaking down and through margins between reality and fiction.

By going into the project’s site, www.gretasdotempo.com.br, the public can view the screen dances available during the period and accompany the occupation/location maps as well as enter the sound archives of soundwalk and much more. The public is thus invited to become more than a viewer, acting also as a researcher. Here, art is considered the locus of knowledge for the public as well as for the artists. We believe that enjoying, entering into art, is a participatory act.

Moreover, we hope the public will immerse themselves into the work, following the artists as they go through the city’s streets transforming urban space into scenic space in the center of Salvador. The Praça da Sé – the cathedral square – is in itself a ‘living’ memory. Upon arriving there, the space becomes a “living art,” incorporating dancers, public and pedestrians all at the same time. We then assemble a space of feeling in the Noble Hall of the Rio Branco Palace, a space configured as each individual enters into the Hall, interacting from their own unique sense of time with the dancer’s memories, bringing even more Gaps in Time into the communal space.

This project reflects part of the constant interweaving of academic and artistic research characteristic of Ivani Santana’s interest in exploring how human perceptual processes are fundamental to creative dance. Sandro Canavezzi has worked as her partner in the conceptual development and interactive installation technology in this work, and the creative process counts with the collaboration of the members of the Núcleo de Estudos, Pesquisas e Ações Coreográficas of the BTCA (Nucleus for the Study, Research and Choreography of the Castro Alves Ballet Theater) and from the Grupo de Pesquisa Poéticas Tecnológicas: corpoaudiovisual (UFBA/ Federal University of Bahia).

Ivani Santana